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A paz de Deus

Acolher a paz de Deus, guardá-la fielmente no coração, mantê-la em meio aos conflitos e espalhá-la - eis a tarefa cristã.

Reflexão sobre o Evangelho do 14º domingo do Tempo Comum – Lucas 10,1-12.17-20  –
Acolher a paz de Deus, guardá-la fielmente no coração, mantê-la em meio aos conflitos e espalhá-la – eis a tarefa cristã. (Cytonn Photography/ Unsplash)
Por José Antonio Pagola*
De poucas palavras se abusou tanto como da palavra “paz”. Todos nós falamos de “paz”, mas o significado desse termo foi mudando profundamente, afastando-se cada vez mais do seu sentido bíblico. O seu uso interesseiro fez da paz um termo ambíguo e problemático. Hoje, em geral, as mensagens de paz resultam muito suspeitosas e não conseguem muita credibilidade.
Quando se fala em paz nas primeiras comunidades cristãs, não se pensa, antes de tudo, numa vida mais calma e menos problemática, que corre de forma ordeira ao longo de caminhos de maior progresso e bem-estar. Antes de tudo e na origem de qualquer paz individual ou social está a convicção de que todos são aceites por Deus apesar dos nossos erros e contradições, todos podemos viver reconciliados e em amizade com ele. Isto é o primordial e decisivo: “Estamos em paz com Deus” (Romanos 5,1).
Essa paz não é só a ausência de conflitos, mas uma vida mais plena que nasce da total confiança em Deus e afeta o próprio centro da pessoa. Essa paz não depende apenas de circunstâncias externas. É uma paz que brota do coração, conquistando gradualmente a toda a pessoa e dela se estende aos outros.
Essa paz é um presente de Deus, mas também fruto de um trabalho não pequeno que pode prolongar-se durante toda uma vida. Receber a paz de Deus e guardá-la fielmente no coração, mantê-la no meio dos conflitos e contagiá-la, difundi-la aos outros exige o esforço apaixonado, mas não fácil, de unificar e enraizar a vida em Deus.
Essa paz não é uma compensação psicológica ante a falta de paz na sociedade; não é uma evasão pragmática que se afasta dos problemas e conflitos; não se trata de um refúgio confortável para pessoas decepcionadas ou céticas ante uma paz social quase “impossível”. Se for a verdadeira paz de Deus, converte-se no melhor estímulo para viver trabalhando por uma convivência pacífica feita entre todos e para o bem de todos.
Jesus pede aos Seus discípulos que, ao anunciar o reino de Deus, a sua primeira mensagem seja para oferecer paz a todos: “Dizei primeiro: paz a esta casa”. Se a paz for aceita, irá estender-se pelas aldeias da Galileia. Caso contrário, ele “voltará” de novo para eles, mas nunca deve ficar destruída no seu coração, pois a paz é um presente de Deus.

Jonas Mello

Jornalista radialista e editor-chefe do Jornal de Leste a Oeste e do blog do Jonas Mello

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